domingo, 24 de maio de 2009

Anjos e Demonios Cap.5

O Saab 900S de Robert Langdon saiu do túnel Callahan no lado leste do porto de
Boston, perto da entrada para o Aeroporto Logan. Verificando o endereço,
Langdon encontrou a Aviation Road e dobrou à esquerda depois do prédio da
Eastern Airlines. Na estrada de acesso, uns 300 metros adiante, um hangar surgiu
na escuridão. Pintado nele, um grande número "4". Langdon parou no
estacionamento e saiu do carro. Um homem de rosto redondo vestindo um
uniforme azul de vôo saiu de trás da construção.
- Robert Langdon? - indagou.
A voz era amigável, com um sotaque peculiar que Langdon não conseguiu
identificar.
- Eu mesmo - respondeu ele, trancando o carro.
- Cálculo perfeito - disse o homem. - Acabei de aterrissar. Venha comigo, por
favor.
Ao rodearem o prédio, Langdon sentiu-se tenso. Não estava acostumado a receber
telefonemas enigmáticos nem a marcar encontros secretos com estranhos.
Sem saber o que esperar, envergara seu traje habitual de dar aulas - calças de
algodão, camisa de gola rolê e um paletó de tweed. Enquanto caminhavam,
pensou no fax no bolso de seu paletó, ainda incapaz de acreditar na imagem que
apresentava.
O piloto pareceu perceber a ansiedade de Langdon.
- Voar não é problema para o senhor, ou é?
- De jeito nenhum - Langdon replicou. Corpos marcados a fogo é que são. Voar
não é nada.
O homem conduziu Langdon até o outro lado do hangar. Contornaram um dos
cantos e saíram na pista de pouso.
Langdon estacou, boquiaberto diante da aeronave estacionada na pista.
- Vamos nisso aí?
O homem sorriu.
- Gostou dele?
Langdon ficou parado olhando algum tempo.
- Dele? Que diabos é isso?
O avião era enorme. Lembrava um pouco o ônibus espacial, exceto pelo topo, que
parecia ter sido raspado fora, deixando-o perfeitamente plano.
Estacionado ali, parecia uma cunha gigantesca. A primeira sensação de Langdon
foi a de que estava sonhando. O veículo dava a impressão de ser tão capaz de voar
quanto um Buick. As asas praticamente não existiam - apenas dois atarracados
estabilizadores verticais na traseira da fuselagem. Um par de pequenos lemes
dorsais erguia-se na ré. O resto do avião era apenas casco - cerca de sessenta
metros de ponta a ponta -, sem janelas, nada mais além de casco.
- Pesa 250 toneladas com o tanque de combustível cheio - adiantou-se o piloto,
como um pai se gabando do filho recém-nascido. - Movido a hidrogênio. O casco
é feito de um molde de titânio com fibras de carbureto de silício. Arremete com
um coeficiente de empuxo de 20:1; a maioria dos jatos só chega a 7:1. O diretor
deve estar com uma pressa danada de encontrar o senhor. Ele não costuma
mandar o possante assim à toa.
- Essa coisa voa? - espantou-se Langdon.
O piloto riu.
- Se voa!
Conduziu Langdon pela pista na direção do avião.
- Chega a assustar, eu sei, mas é bom ir se acostumando. Daqui a cinco anos, é só
o que se vai ver - os HSCT, High Speed Civil Transports (Transporte Civil de
Alta Velocidade). Nosso laboratório é um dos primeiros a ter um.
Deve ser um tremendo laboratório - pensou Langdon.
- Este é um protótipo do Boeing X-33 - continuou o piloto -, mas existem dezenas
de outros: o National Aero Space Plane, o Scramjet dos russos, o Hotol dos
ingleses. O futuro está aqui, só vai levar algum tempo para chegar ao setor
público. Pode ir se despedindo dos jatos convencionais.
Langdon examinou o avião com ar desconfiado.





- Acho que teria preferido um jato convencional.
O piloto apontou para a escada de embarque.
- Vamos subir, por favor, senhor Langdon. Cuidado com os degraus.
Minutos depois, Langdon estava sentado dentro da cabine vazia. O piloto
instalou-o na primeira fila e encaminhou-se para a frente do avião.
Surpreendentemente, a cabine em si parecia-se com a de um grande jato comercial
comum. A única exceção era o fato de não possuir janelas, o que incomodava
Langdon bastante. A vida inteira fora perseguido por uma leve claustrofobia,
vestígio de um incidente de infância jamais superado por completo.
Sua aversão por espaços fechados não chegava a atrapalhar, mas sempre fora
causa de algumas frustrações. Manifestava-se de formas sutis. Ele evitava a
prática de esportes de quadras fechadas, como o squash, e pagara de bom grado
uma pequena fortuna por sua casa vitoriana, arejada e com pé-direito alto, embora
houvesse pronta disponibilidade de moradia mais econômica para professores da
universidade. Às vezes, suspeitava que sua atração pelo mundo da arte desde
muito jovem devia-se ao seu gosto pelos amplos espaços abertos dos museus.
Os motores roncaram sob os seus pés causando um estremecimento profundo que
percorreu todo o corpo do avião. Langdon engoliu em seco e aguardou. Sentiu o
avião começar a taxiar. Acima de sua cabeça espalhou-se suavemente o som de
música country com instrumentos de sopro.
Um telefone na parede a seu lado tocou duas vezes. Langdon pegou o fone e
levou-o ao ouvido.
- Alô?
- Está confortável, senhor Langdon?
- Nem um pouco.
- Procure relaxar. Vamos chegar lá em uma hora.
- E onde exatamente é lá? - perguntou Langdon, percebendo que não tinha noção
de para onde estavam indo.
- Genebra - respondeu o piloto, acelerando os motores. - O laboratório é em
Genebra.
- Genebra - repetiu Langdon, sentindo-se um pouco melhor. - No norte do estado
de Nova York. Tenho parentes perto do lago Seneca. Não sabia que havia um
laboratório de Física em Genebra.
O piloto deu uma risada.
- Não é a Genebra de Nova York, senhor Langdon. Estamos indo para a Genebra
da Suíça.
A palavra demorou um longo momento para ser assimilada.
- Suíça? - O pulso de Langdon acelerou-se. - Mas você não disse que o laboratório
ficava só a uma hora de viagem?
- E fica, senhor Langdon. - Ele deu mais uma risadinha. - Este avião voa a
Mach 15.
CAPÍTULO 5
Em uma movimentada rua européia, o assassino deslocava-se de maneira sinuosa
através da multidão. Era um homem vigoroso. Moreno e forte. De uma agilidade
dissimulada. Seus músculos ainda estavam tensos pela emoção do encontro.
Correu tudo bem, disse a si mesmo. Embora seu empregador não tivesse em
nenhum momento mostrado o rosto, o assassino sentia-se honrado por estar em
sua presença. Fazia realmente apenas 15 dias que haviam feito o primeiro
contato? O assassino ainda lembrava cada palavra da conversa...
- Meu nome é Janus - dissera a pessoa que telefonara. - Estamos de certa forma
ligados pelos mesmos laços. Temos um inimigo comum. Soube que se pode
contratar seus serviços profissionais.
- Depende de quem você representa - replicou o assassino.
O interlocutor disse um nome.
- Não acho graça nessa brincadeira.
- Vejo que já ouviu falar de nós - observou o homem.
- Claro que sim. A fraternidade é lendária.
- E mesmo assim noto que você duvida que eu seja um membro genuíno.
- Todos sabem que os irmãos foram reduzidos a pó.
- Um ardil para desviar a atenção. O inimigo mais perigoso é aquele que
ninguém teme.
O matador mostrou-se cético.
- A fraternidade ainda subsiste?
- Mais às ocultas do que nunca. Nossas raízes estão infiltradas em tudo o que você
vê... até na fortaleza sagrada de nosso inimigo mais declarado.
- Impossível. Eles são invulneráveis.
- Nosso braço é longo.
- Nenhum braço chega tão longe.
- Logo você vai acreditar. Uma demonstração irrefutável do poder da fraternidade
já veio a público. Um único ato de traição e de prova.
- O que vocês fizeram?
O homem contou-lhe.
O matador arregalou os olhos.
- Uma tarefa impossível.
No dia seguinte, os jornais do mundo inteiro estampavam a mesma manchete. O
matador passou a acreditar.
Agora, 15 dias depois, a fé do matador consolidara-se além de qualquer sombra de
dúvida. A fraternidade subsiste, pensou. Hoje à noite eles virão à tona para revelar
seu poder.
Caminhando pelas ruas, seus olhos negros brilhavam, cheios de expectativa. Uma
das fraternidades mais ocultas e temidas que já haviam existido neste mundo
convocara seus serviços. Escolheram com sabedoria, refletiu. Sua reputação de
saber guardar segredo só era superada pela de infalibilidade.
Até ali, servira-os nobremente. Fizera a execução e entregara o objeto a Janus
como fora solicitado. Agora, cabia a Janus lançar mão de seu poder para
providenciar a instalação do objeto. A instalação...
O assassino se perguntava como Janus realizaria aquela tarefa tão assombrosa. O
homem certamente tinha contatos lá dentro. Os domínios da fraternidade pareciam
ilimitados.
Janus, pensou ele. Um codinome, sem dúvida. Seria uma referência, ocorreu-lhe,
ao deus romano de duas faces... ou à lua de Saturno? Não que fizesse qualquer
diferença. Janus exercia um poder insondável. Dera provas irrefutáveis disso.
Enquanto andava, o assassino imaginava seus próprios ancestrais rindo para ele.
Ele estava lutando a mesma batalha deles, era o mesmo inimigo contra o qual
haviam lutado durante séculos, talvez desde o século XI... quando os exércitos dos
cruzados haviam começado a pilhar suas terras, violentando e matando seu povo,
declarando-o impuro, despojando seus templos e deuses.
Seus antepassados haviam formado um pequeno mas mortífero exército para se
defender. Esse exército tornou-se famoso na região, seus membros eram vistos
como protetores - hábeis carrascos que percorriam o país trucidando o inimigo
onde quer que o encontrassem. Eram afamados não só por seus extermínios
brutais, como por celebrá-los entregando-se ao entorpecimento causado pelo uso
de drogas. A droga escolhida era uma potente substância inebriante a que
chamavam de hashish, o haxixe.
À medida que sua notoriedade se espalhava, esses homens letais passaram a ser
conhecidos por uma única denominação: Hassassin - literalmente, "os seguidores
do haxixe" O nome Hassassin tornou-se sinônimo de morte em quase todas as
línguas da terra. A palavra ainda é usada hoje, até nas línguas modernas...
porém, assim como a arte de matar, o termo evoluiu.
Hoje pronuncia-se assassino.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

COMUNICADO IMPORTANTE



INTERROMPENOS NOSSA PROGRAMAÇAO NORMAL PARA UM COMUNICADO IMPORTANTE

Olá gente, este é meu novo blog e ja está ativo com tudinho funcionando, se você precisar de algum programa, legenda, tamples para seu blog, games e etc. é so pedir que eu coloco lÁ para você baixar ok!
Grande abraço a todos.





MEU NOVO BLOG AQUI

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Anjos e Demonios..Capitolo 2 & 3.

CAPÍTULO 2

- Vai me dar atenção agora? - disse o homem quando Langdon finalmente atendeu
o telefone.
- Sim, senhor, com certeza, agora vou. Pode explicar melhor?
- Foi o que tentei lhe contar antes - a voz era rígida, mecânica. - Sou físico.
Dirijo uma organização de pesquisas. Aconteceu um crime e o senhor viu o fax.
- Como me encontrou? - Langdon mal conseguia se concentrar na
conversa. Sua mente estava na imagem no fax.
- Já lhe disse. Na Internet, no site de seu livro A arte dos Illuminati.
Langdon procurou reunir seus pensamentos. Seu livro era praticamente
desconhecido nos círculos literários convencionais mas tivera uma repercussão
bastante significativa on-line. Ainda assim, a explicação não fazia sentido.
- A página não traz informações para contato - Langdon desafiou-o.
- Tenho certeza disto.
- No laboratório tenho gente que é especialista em extrair informações sobre os
usuários da Internet.
Langdon ainda estava meio cético.
- Parece que seu laboratório sabe tudo sobre a Internet.
- Claro - o outro disparou -, fomos nós que a inventamos.
Algo na voz do homem dizia que ele não estava brincando.
- Preciso vê-lo - insistiu. - Não é assunto para se tratar pelo telefone. Meu
laboratório fica a apenas uma hora de vôo de Boston.
Na penumbra de seu escritório, Langdon analisou o fax que tinha em mãos. A
imagem era estarrecedora, talvez representasse a maior descoberta epigráfica do
século, uma década de suas pesquisas confirmada em um único símbolo.
- É urgente - a voz pressionou-o.
Os olhos de Langdon estavam fixos na queimadura. Illuminati, ele lia sem parar.
Seu trabalho sempre se baseara no equivalente simbólico dos fósseis -
documentos antigos e boatos históricos -, mas aquela imagem diante dele
representava o hoje. O tempo presente. Sentia-se como um paleontólogo que dá
de cara com um dinossauro vivo.
- Tomei a liberdade de mandar um avião buscá-lo - disse a voz. - Vai estar em
Boston dentro de 20 minutos.
Langdon sentiu a boca seca. Uma hora de vôo...
- Por favor, desculpe minha impertinência - continuou o homem. – Preciso do
senhor aqui.
Langdon olhou outra vez para a imagem no fax - um antigo mito confirmado em
preto-e-branco. As implicações eram assustadoras. Levantou um olhar ausente
para as janelas. Os primeiros vestígios da aurora insinuavam-se por entre os
galhos das bétulas dos fundos de sua casa, mas a vista de alguma forma parecia
diferente naquela manhã. À medida que uma estranha mistura de medo e
animação ia tomando conta dele, Langdon percebeu que não tinha escolha.
- O senhor me convenceu - falou ele. - Agora me diga onde encontrar o avião.

CAPÍTULO 3

A milhares de quilômetros dali, dois homens encontravam-se. O aposento era
escuro. Medieval. De pedra.
- Benvenuto - disse o encarregado. Estava sentado nas sombras, fora de visão. -
Foi bem-sucedido?
- Si - respondeu o vulto. - Perfectamente. - Suas palavras soavam duras como as
paredes de pedra.
- E não haverá dúvidas quanto à responsabilidade?
- Nenhuma.
- Excelente. Trouxe o que pedi?
Os olhos do assassino brilharam, negros como petróleo. Pegou um pesado
aparelho eletrônico e colocou-o sobre a mesa.
O homem nas sombras pareceu satisfeito.
- Você se saiu bem.
- Servir à fraternidade é uma honra - disse o assassino.
- A fase dois vai começar logo. Procure descansar um pouco. Esta noite vamos
mudar o mundo.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Anjos e Demonmios

Uma História que vai prender sua atenção por dias!


O físico Leonardo Vetra sentiu cheiro de carne queimada e sabia que era a sua.
Levantou os olhos, aterrorizado, para a figura sombria que o dominava.
- O que você quer?
- La chiave - respondeu a voz rascante. - A senha.
- Mas eu não...
O intruso curvou-se de novo para a frente, pressionando com mais força o objeto
em brasa no peito de Vetra. Ouviu-se um chiado de carne grelhando. Vetra gritou
alto, agoniado.
- Não existe senha nenhuma! - E sentiu que mergulhava na inconsciência.
O rosto do homem encheu-se de uma fúria contida.
- Ne avevo paura. Era o que eu temia.
Vetra esforçou-se para manter os sentidos, mas a escuridão envolvia-o pouco a
pouco. Seu único consolo era saber que o agressor jamais obteria o que viera
buscar. Um momento mais tarde, porém, o homem fez aparecer uma lâmina e
ergueu-a diante do rosto de Vetra. A lâmina adejou no ar. Precisa. Cirúrgica.
- Pelo amor de Deus! - gritou Vetra.
Mas era tarde demais.

CAPÍTULO 1

Do alto da pirâmide de Gizé, a jovem riu e voltou-se para ele, lá embaixo,
chamando-o.
- Ande, Robert! Devia ter me casado com um homem mais moço! - O sorriso dela
era mágico.
Ele tentou acompanhá-la, mas suas pernas pesavam como se fossem feitas de
pedra.
- Espere - pediu. - Por favor...
Enquanto subia, sua vista começou a turvar-se. Seus ouvidos latejavam.
Preciso alcançá-la! Mas, quando olhou de novo para cima, a mulher desaparecera.
Em seu lugar havia um velho de dentes estragados. O homem encarou-o, os lábios
torcendo-se em uma careta melancólica. E ele deixou escapar um grito de angústia
que ressoou pelo deserto.
Robert Langdon acordou sobressaltado do pesadelo. O telefone ao lado de sua
cama estava tocando. Tonto, levou-o ao ouvido.
- Alô?
- Gostaria de falar com Robert Langdon - disse uma voz masculina.
Langdon sentou-se na cama e tentou clarear sua mente.
- Aqui... é Robert Langdon - e apertou os olhos para o mostrador do relógio
digital. Eram 5h18 da madrugada.
- Preciso encontrá-lo imediatamente.
- Quem está falando?
- Meu nome é Maximilian Kohler. Sou um físico de Partículas Discretas.
- Um o quê? - Langdon mal conseguia se concentrar. - Tem certeza de que
procurou o Langdon certo?
- O senhor é professor de Simbologia Religiosa na Universidade de Harvard.
Escreveu três livros sobre simbologia e...
- Sabe que horas são?
- Peço desculpas. Há uma coisa que precisa ver. Não posso explicar pelo telefone.
Um resmungo conformado escapou dos lábios de Langdon. Aquilo já acontecera
antes. Um dos perigos de se escrever livros sobre simbologia religiosa era o
chamado de fanáticos querendo que ele confirmasse o último sinal que haviam
recebido de Deus. No mês anterior, uma stripper de Oklahoma prometera a
Langdon a melhor sessão de sexo de sua vida se ele pegasse um avião até cidade
dela para verificar a autenticidade de uma figura cruciforme que parecera
magicamente nos lençóis de sua cama. O sudário de Tulsa, como Langdon a
chamara.
- Como conseguiu o número do meu telefone? - Langdon tentou ser amável,
apesar da hora.
- Na Internet. No site do seu livro.
Langdon franziu a testa. Tinha certeza de que o número do telefone de sua casa
não constava do site de seu livro. O homem obviamente estava mentindo.
- Preciso vê-lo - a voz do outro lado insistiu. - Vou pagar bem.
Agora Langdon estava ficando furioso.
- Sinto muito, mas eu...
- Se sair agora, pode estar aqui por volta de...
- Não vou a lugar nenhum! São cinco horas da manhã!
Langdon desligou e caiu de volta na cama. Fechou os olhos e tentou adormecer
novamente. Não adiantou. O sonho estava entranhado em sua mente. Relutante,
vestiu um roupão e desceu.
Robert Langdon perambulou descalço por sua casa deserta, uma construção
Vitoriana em Massachusetts, segurando seu remédio habitual contra a insônia:
uma caneca de chocolate instantâneo fumegante. O luar de abril filtrava-se pelas
janelas da sacada e formava desenhos nos tapetes orientais. Os colegas de
Langdon sempre brincavam que o lugar parecia mais um museu de antropologia
do que uma casa. As prateleiras estavam cheias de artefatos religiosos de todo o
mundo - um akuaba de Gana, uma cruz dourada da Espanha, um ídolo cicladense
do Egeu e um ainda mais raro boccus de Bornéu, o símbolo da perpétua juventude
de um jovem guerreiro.
Sentado em uma arca de latão maharishi e saboreando o chocolate quente, deu
com o seu reflexo nas vidraças das janelas. A imagem estava distorcida e pálida..
como a de um fantasma. Um fantasma envelhecido, pensou, sendo cruelmente
lembrado de que o seu espírito da mocidade vivia dentro de um invólucro mortal.
Apesar de não ser propriamente bonito no sentido clássico, Langdon, com seus
quarenta e cinco anos, possuía o que as colegas do sexo feminino classificavam de
um encanto "erudito" - mechas grisalhas misturadas ao espesso cabelo castanho,
perspicazes olhos azuis, uma voz grave atraente e o sorriso forte e despreocupado
de um atleta universitário. Membro da equipe de mergulho da faculdade, Langdon
ainda tinha um corpo de nadador, um metro e oitenta de boa forma, que ele
mantinha cuidadosamente com 2.500 metros diários de exercício na piscina da
universidade.
Seus amigos sempre o viram como uma espécie de enigma - um homem que
pertencia a séculos diferentes. Nos fins de semana, viam-no andando pelo pátio da
universidade vestido de jeans e conversando sobre computação gráfica e história
religiosa com os alunos; outras vezes, aparecia com seu paletó de tweed e colete
paisley nas páginas de importantes revistas de arte em aberturas de exposições de
museus para as quais era convidado a dar palestras.
Mesmo sendo um professor rigoroso e muito severo quanto à disciplina, Langdon
era o primeiro a acolher o que chamava de "a arte perdida de uma boa
brincadeira" Apreciava os momentos de divertimento com um fanatismo
contagiante, o que lhe valera uma aceitação fraternal entre seus alunos. Seu
apelido no campus, "Golfinho", era uma referência tanto à sua natureza afável
quanto à sua lendária capacidade de mergulhar em uma piscina e confundir a
estratégia de toda a equipe adversária em um jogo de pólo aquático.
Enquanto estava ali, sozinho, olhando distraído para a escuridão, o silêncio da
casa foi quebrado novamente, dessa vez pelo toque da máquina de fax. Exausto
demais para se incomodar, Langdon forçou uma risadinha cansada.
O povo de Deus, pensou. Dois mil anos de espera pelo Messias e eles ainda são de
uma persistência infernal.
Entediado, deixou a caneca vazia na cozinha e foi andando devagar para seu
escritório revestido de painéis de carvalho. O fax recém-chegado estava na
bandeja da máquina. Suspirando, pegou a folha de papel e olhou para ela. No
mesmo instante foi tomado por uma onda de náusea.
A imagem na página era a de um cadáver humano. O corpo fora despido e a
cabeça fora torcida, virada completamente para trás. No peito da vítima havia uma
terrível queimadura. O homem fora marcado a fogo... com uma única palavra.
Uma palavra que Langdon conhecia bem, muito bem. Ele olhou fixamente,
incrédulo, para as letras desenhadas. Illuminati
- Illuminati - ele gaguejou, o coração batendo forte. - Não pode ser...
Lentamente, temendo o que estava para presenciar, Langdon girou o papel 180
graus. Olhou para a palavra de cabeça para baixo.
E quase perdeu o fôlego. Era como se tivesse sido atropelado por um caminhão.
Mal acreditando em seus olhos, virou a folha de novo, lendo a palavra nas duas
posições.
- Illuminati - murmurou.
Aturdido, deixou-se cair em uma cadeira. Ficou ali por um momento, totalmente
desnorteado. Aos poucos, sua atenção voltou-se para a luz vermelha que piscava
na máquina. Quem mandara o fax ainda estava na linha.. esperando para falar.
Langdon contemplou durante longo tempo o ponto luminoso piscando.
Depois, trêmulo, levantou o fone.